Todo catálogo de luminária traz a sigla IP seguida de dois números. É comum tratar isso como detalhe de ficha técnica, mas é justamente esse par de dígitos que separa um equipamento que dura anos de um que falha na primeira estação de chuva.
O que cada dígito significa
O primeiro dígito trata de corpos sólidos: poeira, fibra, partícula em suspensão. Vai de 0 a 6, e o 6 significa vedação total contra pó.
O segundo dígito trata de água, e é onde mora a maior parte dos erros. Vai de 0 a 9, e cada nível descreve uma condição bem específica de ensaio.
Onde a especificação costuma escorregar
A confusão clássica é entre IP65 e IP66. Os dois vedam completamente contra poeira, mas mudam na água: o 5 resiste a jatos de baixa pressão, o 6 resiste a jatos potentes.
Na prática, isso decide o caso em qualquer ambiente que passe por lavagem. Um armazém que é higienizado com mangueira de pressão, uma área de processamento de alimentos, um pátio que recebe limpeza pesada: nesses lugares, uma luminária IP65 está fora de especificação, mesmo parecendo suficiente no papel.
Há ainda o IP69K, voltado a limpeza com jato de água quente em alta pressão. É o grau exigido em ambientes de higienização severa, e não tem substituto quando a rotina de limpeza é essa.
Comece pelo ambiente, não pelo produto
O caminho que evita retrabalho é o inverso do que costuma acontecer. Em vez de escolher a luminária e conferir se o IP atende, descreva primeiro a condição real de operação:
- Existe poeira em suspensão? De que tipo?
- Como é feita a limpeza do ambiente, e com que pressão de água?
- O equipamento fica exposto a intempérie, maresia ou produto químico?
- Qual a temperatura de trabalho e existe vibração?
Com essas quatro respostas, o grau de proteção deixa de ser chute. E o custo da luminária correta quase sempre é menor que o de trocar toda a instalação um ano depois.
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